A qualidade de um laboratório começa com um bom projeto físico-funcional

A qualidade de um laboratório começa com um bom projeto físico-funcional

A qualidade de um laboratório começa com um bom projeto físico-funcional

O profissional de arquitetura/engenharia possui papel fundamental na elaboração dos projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS)*.

Independentemente do espaço ou estabelecimento construído, cabe ao arquiteto ou engenheiro, mediante uma metodologia de anamnese, análise, interpretação, diagnose e prognose, elaborar um programa adequado à finalidade, considerando-se fluxogramas operacionais e aspectos biossecuritários, dentre outros.

Um correto projeto físico influencia de tal forma a qualidade dos processos/atividades desenvolvidos em EAS, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA criou a RDC nº 50/02. Em continuação ao que já vinha sendo proposto pela Portaria MS nº 1884/94, a RDC estabelece critérios básicos para os projetos arquitetônicos desses estabelecimentos.

Entrevistamos a Dra. Marguerita Abdalla, arquiteta do Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro – que abordou as normas a serem seguidas na construção ou reforma de EAS – e os arquitetos Carlos Eduardo Spencer e José Humberto Bertarelli, profissionais especialistas na prestação desse tipo de serviço.
(*) EAS é a denominação dada a qualquer edificação destinada à prestação de assistência à saúde da população, que demande o acesso de pacientes, em regime de internação ou não, independente de seu nível de complexidade.

A construção ou reforma de um laboratório inicia com a adoção de normas estabelecidas por órgãos federais e regionais, que, dentre outros pontos, determinam a necessidade de um projeto executivo arquitetônico. Atualmente, é a RDC nº 50/02 que dispõe sobre a regulamentação dos procedimentos de análise, avaliação e aprovação dos projetos físicos de estabelecimentos de saúde no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

De acordo com a arquiteta Marguerita Abdalla, a programação físico-funcional de um EAS, conforme a RDC nº 50/02, baseia-se em conjuntos de atividades específicas, que correspondem a uma descrição resumida da organização técnica do trabalho na assistência à saúde. “No caso de laboratório, após levantamento das atribuições e atividades, o profissional de arquitetura deve entender os processos desenvolvidos, os riscos associados às condutas técnicas e a finalidade de cada ambiente definido na legislação; levantar os tipos de exames, os equipamentos, as instalações, os níveis de biossegurança determinados no capítulo de controle de infecção hospitalar, formas de segregação, acondicionamento e descarte dos resíduos sólidos, dentre outros”, explica.

Mas as dificuldades dos laboratórios na adequação da infraestrutura física, de acordo com a Dra. Marguerita, começam com a escolha inadequada do local para sua instalação. “Aluga-se um imóvel para depois pensar no programa de necessidades, quando, na verdade, deve ser o contrário”, declara.

A Vigilância Sanitária trabalha com dois tipos de processos: LICENÇA INICIAL, quando o estabelecimento já está instalado; e VISTO EM PLANTA, quando se deseja construir, reformar ou modificar o projeto. “É de suma importância solicitar o visto em planta antes de qualquer alteração na planta física. A avaliação de um EAS deve ser feita por uma equipe multiprofissional e o parecer técnico emitido por um profissional do sistema CREA/CONFEA. Ou seja, a avaliação de projeto na VISA é feita em parceria com os profissionais do setor de laboratório e em cima da minimização dos riscos anteriormente mencionados”, comenta.

Elaborando o projeto físico de um laboratório clínico

O arquiteto Carlos Eduardo Spencer explica que o projeto arquitetônico de um laboratório deve detalhar e compatibilizar todas as interfaces do sistema: instalações prediais ordinárias e especiais (hidro-sanitárias, elétrica e eletrônica, aterramento, fluido-mecânicas e climatização), sistema estrutural empregado e níveis de biossegurança. “É preciso, por exemplo, ficar atento a fluxo de insumos, de forma a evitar contaminação cruzada, e a fatores como circulação, conforto e proteção dos funcionários, distribuição coerente, setorização espacial e proteção do meio ambiente”, comenta Spencer, que dá outras dicas valiosas.

– Regulamentação: um projeto deve atender às exigências e normas da Vigilância Sanitária, do Ministério do Trabalho, do Código de Obras da cidade, do Corpo de Bombeiros e de concessionárias públicas.
– Instalações elétricas: devem ser sempre checadas, definindo-se um bom sistema de aterramento. A maioria dos incêndios é proveniente da parte elétrica.
– Superfícies de trabalho: devem ser impermeáveis, resistentes a lavagem, desinfecção, ácidos, solventes e álcais. São recomendadas bancadas em aço inox e pias inseridas (de embutir ou de sobrepor) e nunca acopladas, com profundidades de acordo às suas finalidades.
– Piso, parede e teto: utilizar materiais impermeáveis, resistentes a limpeza e desinfecção rotineiras, e que exijam baixa manutenção. Não podem ter ranhuras ou frestas, texturas, reentrâncias, cantos arredondados e imperfeições. Superfícies monolíticas com tonalidades claras são ideais. Atenção para o uso de rodapés: o encontro com piso e a parede deve ser alinhado para evitar arremates imperfeitos e acúmulo de sujeira. Base de resina epóxi, aglomerado tipo Korodur polido e de poliuretanos monolíticos polidos são boas opções para piso.
– Portas: devem possuir acabamento lavável, resistente, sem alisar, fechar automaticamente e possuir visor. Nos ambientes com níveis de biossegurança 3 e 4, atenção especial para os dispositivos e acabamentos de vedação. Os vãos livres das portas devem possibilitar a passagem de equipamentos.
– Mobiliário de suporte e equipamentos e trabalho: devem possuir o mínimo de reentrâncias e detalhes que dificultem sua limpeza, higienização e manutenção. Não devem ser utilizados materiais orgânicos, assim como qualquer outro que retenha umidade.
– Iluminação: utilizar luminárias embutidas, com fechamentos em vidro ou acrílico, evitando grelhas e aramados (que acumulam sujeira e dificultam a limpeza). Conforme o caso, o ideal é utilizar lâmpadas com 100% de reprodução das cores iluminadas.
– Áreas de circulação: a distribuição das instalações deve facilitar o acesso da manutenção sem implicar paradas desnecessárias de trabalho.
– Instalações hidráulicas: nas tubulações de água, o uso de registros facilita a manutenção.
– Área dividida em pavimentos: o ideal é utilizar monta-cargas para os produtos, evitando o transporte pelas escadas e a circulação pelo laboratório. O monta-carga deve abrir para recintos fechados, com antecâmaras.
O arquiteto José Humberto Bertarelli sugere a utilização de um fluxograma que testou recentemente na ampliação de um laboratório no Rio de Janeiro (ver quadro ao lado). Segundo ele, todo o projeto deve ser conduzido para a obtenção de ganhos de qualidade nas condições de trabalho e melhoria na imagem do laboratório. “É um processo de ida e volta entre os aspectos técnicos específicos e conceitos arquitetônicos, onde se articulam volumes, vazios, transparências e iluminação, texturas e cores, resultando num projeto apropriado e espacialmente agradável, de baixo custo e pouco tempo de obra”, comenta.

Algumas Legislações: 

– Resolução RDC nº 50/2002
– Portarias estaduais e municipais
– ABNT NBR 14712 – Elevadores
– ABNT NBR 7192 – Instalação de monta-cargas
– ABNT NBR 13700 – Áreas limpas
– ABNT NBR 9050 – Acessibilidade
– ABNT NBR 5410 – Instalações de segurança
– ABNT NBR 8160 – Sistemas prediais de esgoto sanitário
– ABNT NBR 14432 – Resistência ao fogo de elementos construtivos

Recentemente, a Controllab tornou-se membro da WASPaLM – World Association of Societies of Pathology and Laboratory Medicine. Ao tornar-se “Corporate Sponsor”, a empresa vem participando ativamente da comunidade científica mundial e buscando sempre novas formas de aprimorar suas atividades.

Fundada em setembro de 1947 em Paris, após a Segunda Guerra Mundial, a WASPaLM, que hoje mantém sua sede em Tóquio, é composta por 24 Sociedades, Colégios ou Associações de 17 países. Sua missão é definir padrões internacionais de qualidade, incentivo a troca de informações e conhecimento entre patologistas e laboratórios, formando redes mundiais de cooperação. A cada dois anos, realiza o Congresso Mundial de Patologia e Medicina Laboratorial, e o 23º será em Istambul, na Turquia, entre os dias 26 a 30 de maio de 2005.

Como membro da WASPaLM, a Controllab manterá seu desafio de buscar novos caminhos e ampliar conhecimento científico para oferecer melhores soluções para seus clientes.

Outras associações da Controllab:
AACC – American Association of Clinical Chemistry (“Full Member”)
NCCLS – National Commite for Clinical Laboratory Standards (“Active Member”)

Em junho deste ano, a Controllab disponibilizou uma novidade online para os participantes do PELM: o Relatório Gerencial.

Este novo relatório expõe, numa perspectiva gerencial, o nível de performance geral do participante, apontando os ensaios com desempenho inferior ao definido pela ANVISA. Isto permite que o gestor identifique, rapidamente, os pontos em que necessita atuar para obter a confiabilidade de seus laudos.

Os índices gerados (percentual de ensaios adequados) podem ser usados ainda para atender aos requisitos da qualidade, em especial à ISO 9000, com relação a monitoramento e medição, para assegurar a conformidade do sistema da qualidade e promover a melhoria contínua.

Por que o controle individual para uso diário é melhor?

Na edição nº 3 do Qualifique, publicamos uma reportagem sobre as Regras Múltiplas de Westgard – padrão mundial para controle interno. Esta matéria levantou uma dúvida: qual a realidade dos laboratórios brasileiros? Para respondê-la, a Controllab realizou uma pesquisa, e obteve retorno de 484 clientes de diferentes regiões do Brasil.

A primeira questão a ser levantada foi sobre a melhor apresentação de controle: embalagem única para aliquotagem ou frascos individuais para uso diário? O controle para uso diário foi escolhido por 93% dos laboratórios, por ser mais estável, com destaque para redução do risco de propagação de contaminação, erro de reconstituição ou problemas de armazenagem.

Cerca de ¼ dos laboratórios não tem definido o tempo mínimo para a duração de um lote de controle. Os demais acreditam que um período de 6 a 12 meses seja o ideal.

Como valor de referência (média e desvio-padrão), a grande maioria (76%) utiliza os dados fornecidos pelo fabricante do controle. Apenas 12% utilizam os valores obtidos pelo próprio laboratório com análise por regras de Westgard.

O resultado da pesquisa mostra que os laboratórios brasileiros ainda têm um longo caminho pela frente, mas também destaca que já estão trabalhando neste sentido. A velha prática de aliquotagem de soros para uso individual já está sendo abandonada e, aos poucos, têm sido adotados os recursos gráficos e as regras múltiplas.

O melhor a fazer é seguir o conselho de James O. Westgard, em seu artigo Best Practices for Westgarf Rules: 

Se o seu CQ estiver insatisfatório, não há o que temer. Isto significa que você tem muito a melhorar, e qualquer passo fará com que seja melhor. Provavelmente, a melhor coisa a fazer não é tentar se agarrar a todas as melhores práticas, mas tentar eliminar todas as piores práticas. E por fim, inicie devagar. Não fique empolgado em mudar tudo no laboratório de uma só vez.
O relatório gerencial

Outras edições

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Edição 51
out/nov/dez 2015
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Edição 49
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Edição 47
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PRM 0009

Accreditation Cgcre/Inmetro - Certified Reference Material Producer

Controllab has been accredited as a Certified Reference Material Producer (MRC) since 2016 by Inmetro’s General Coordination for Accreditation (CGCRE), under the PMR 0009 number. The assessment of this conformity is carried out according to the requirements established in ABNT NBR standards ISO 17034 and Inmetro, thus ensuring competence for the production of MRCs, according to the Scope of Accreditation.
Cgcre is signatory to the Mutual Recognition Arrangements of the International Laboratory Accreditation Cooperation (ILAC) and Interamerican Accreditation Cooperation (IAAC).

CAL 0214

Accreditation Cgcre/Inmetro - Calibration Laboratory

In December 2002, the Calibration Laboratory was accredited by Inmetro’s General Coordination for Accreditation (CGCRE). With this recognition, it became an integral part of the Brazilian network of accredited laboratories, under nº214. Since then, it is periodically evaluated for the maintenance and/or extension of accreditation.

Cgcre is signatory to the Mutual Recognition Arrangements of the International Laboratory Accreditation Cooperation (ILAC) and Interamerican Accreditation Cooperation (IAAC).

PEP 0003

Accreditation Cgcre/Inmetro - Proficiency Test Provider

In September 2011, Controllab was accredited by Inmetro’s General Coordination for Accreditation (CGCRE) as a proficiency test provider, under nº PEP0003. Initially as part of a pilot project by Inmetro, this accreditation was based on ILAC G13: 2007 and included several clinical and hemotherapy tests. In the periodic evaluations of this accreditation, new segments and tests are included and the evaluation is now conducted according to ABNT NBR ISO/IEC 17043.

This accreditation attests to Controllab’s technical competence to develop and conduct proficiency tests in accordance with international requirements and enables it to be recognized in other countries, in accordance with mutual recognition agreements signed by Brazil in Mercosur, the Americas and Europe.

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